sábado, 9 de outubro de 2010

Uma noite de Sonho

Uma Noite de Sonho

Tudo era tão perfeito que confundi realidade com magia. Não sei bem o que sentia, a embriaguês do momento levou-me a voar por céus, mares, planícies, enfim…
Por instantes, quase acreditei que eu, não era eu!
A sintonia foi tanta, o mel tão autêntico que tudo em volta deixou de existir; vivi uma realidade que só a juventude nos oferece. Foi contagiante a alegria, nada nem ninguém consegue igualar tamanha felicidade. No meu conceito, não encontro léxico adequado para expressar tamanha emoção.
Tal como havíamos combinado, saímos.
O local escolhido foi de comum acordo e na pequena viagem realizada, observei uma vez mais a lua cheia, as estrelas, e a ternura contagiante de uma paixão viva.
O jantar não foi dos deuses, mas muito delicioso e repleto de ternura. O peixe como sempre foi a minha escolha, não troco esta iguaria por mais nenhuma. Sou fiel ao meu degustar.
O tempo, esse nunca parou, mas na minha mente ficou estabilizado, tão sossegado que nem me lembrei de olhar para a máquina da precisão.
Não brindamos ao amor, nem a um futuro encontro, com efeito, no meu coração a promessa ficou em cada palavra, em cada gesto e no mais expressivo dos nossos olhares.
Nas minhas fantasias, e nos meus sonhos acordados, eu já tinha vivido o fascínio estonteante da dança. Como de magia se tratasse, em tua companhia e nos teus braços, voei pelo salão e tornei-me a estrela mais brilhante de todo o universo.
Os nossos corpos rodopiaram, e as colcheias da melodia encaixavam na perfeição. Escutei-te cantar, e guiada por ti, bailava… bailava!
Completamente sóbria acordada e muito feliz, pedi para me beliscares, pois queria ter a certeza que vivia uma realidade sem que esta fosse apenas fruto da minha imaginação.
Os movimentos conduzidos pelo tempo musical, surgiam certinhos como os de um par bem treinado para a sua grande noite de gala.
Que fascínio… que loucura!
A noite de uma Cinderela dos contos de fadas aconteceu, e eu dançava, dançava…
Levada pela emoção e pelo prazer dos passos outrora interiorizados, guardados pelo tempo no baú das minhas relíquias, acabaram por desabrochar.

A atmosfera envolvente surgia, o compasso e a melodia, ambos muito delicados, acariciavam-nos e a coreografia emanava um perfume sublime, suave, enternecedor…
O mago abriu a tampa, e a essência embriagou completamente cada segundo, cada dança, cada passo, cada movimento, enfim…. Foi para mim, uma noite de magia perene!
Eterna, porque prevalecerá em minha mente pela vida fora, eterna porque continuarei a dançar nos meus delírios, mesmo que nunca mais volte a acontecer.
Este foi sem dúvida um dos melhores prazeres que a vida me ofereceu. A magia ficará comigo, a música, para quem a souber escutar, e a paixão pela dança, só para os amantes desta arte.
A harmonia foi perfeita, o momento muito especial, e aquela noite, apenas ao meu mundo pertencerá.
Quanto tempo passou? Quase já nem me lembrava mais o quanto amava este deleite. Como me senti outra…
Vivi, senti, amei com todo o fervor da minha alma, idílio de paz, de alegria, um sonho realizado, que o tempo jamais apagará.
Não passo de uma imortal romântica, não posso prever o amanhã que a vida me reserva, mas na eloquência do silêncio, as lágrimas visitaram os meus olhos, rolaram pelo meu rosto, confundiram-se com a transpiração e mostraram-me que ainda sou hábil e me consigo surpreender.
A tua ternura, e emoção vivida fizeram-me acreditar que o futuro poderá ainda sorrir ao teu lado, no mundo que é apenas nosso.
O contágio foi recíproco, os nossos olhares cruzavam-se de toda a vez que uma nova dança começava. Não foi necessário falar, o mundo estava prostrado aos nossos pés, a fascinação acontecia e nós continuávamos a bailar…a bailar…
Não houve aplausos, mas como dois bailarinos que amam a sua arte, escutamos os sussurros do prazer que os nossos corpos envolvidos brotavam.
A escuridão não queria terminar, mas o dia teimava em aparecer e a despedida era eminente.
Tanta paixão, tanto amor, não podem nem devem deter-se adormecidos, as vidas são para se viverem, os momentos para se recordarem e juntos podemos voar, construir castelos, mudar o rumo aos contos de fadas, abraçar a felicidade e uma vez mais agarrar oportunidade que a existência nos dá.

Quase acreditei que tudo poderia mudar, não foste convincente, mas que me tocaste profundamente o coração, não posso negar.
Esperarei para ver o resultado… na minha imaginação já está definido.
Também sei que nada te fará mudar, embora só o tempo me dê a resposta que eu já tenho e irei guardar.
A magia de uma noite aconteceu, foi real e os protagonistas viveram juntos, o estonteante delírio de uma momentânea felicidade.
A dança deu prazer, o momento foi vivido, mas não adianta sonhar…a bailar, bailar, fica o pensamento para sempre a flutuar.
A música será sempre boa companheira, a recordação acompanha-a e eu renovo o meu ego.




A Autora: Moreira Balde 26/10/2008

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